Castanha do Brasil melhora o perfil lipídico, estresse oxidativo e função microvascular em adolescentes obesas

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Maranhão et al.: Brazil nuts intake improves lipid profile, oxidative stress and microvascular function in obese adolescents: a randomized controlled trial. Nutrition & Metabolism 2011 8:32.

O artigo publicado recentemente na Nutrition & Metabolism trata sobre um problema de saúde pública, a obesidade. Pesquisadores do Laboratório de Biologia Vascular do Rio de Janeiro suplementaram um grupo de adolescentes obesas com castanha do Brasil, ou popularmente castanha do Pará, e avaliaram os efeitos sobre o perfil lipídico, estresse oxidativo e função microvascular.

O grupo de adolescentes obesas (n=17) apresentou IMC médio de 35,6 ± 3,3 kg/m2. As meninas foram randomizadas em dois grupos, sendo as características iniciais similares entre eles. Um dos grupos foi suplementado com castanha (n=08) e o outro com placebo (n=9). A quantidade suplementada de castanha foi de 15 a 25 gramas/ dia, equivalente a 3 a 5 unidades/ dia. O estudo teve o seguimento de dezesseis semanas. Não houve redução nos indicadores antropométricos (IMC e circunferência da cintura). As concentrações séricas de insulina e glicose não foram alteradas, consequentemente o HOMA-IR também não mudou.

A castanha do Brasil reduziu significativamente as concentrações de colesterol total (p=0,003), LDL-c (p=0,02) e triacilglicerol (p=0,05), sem alterar as de HDL-c. O grupo suplementado apresentou aumento nas concentrações séricas de selênio (p=0,02) e dentre os marcadores de estresse oxidativo, a LDL-ox reduziu significativamente no final do estudo (p=0,02). A velocidade da hemácia no basal e pico máximo aumentou no grupo suplementado com castanha (p=0,03). O aumento na velocidade pode estar relacionado à redução do perfil lipídico aterogênico. De maneira geral, as alterações observadas com a suplementação estão associadas à melhora na função vascular.
 
Os benefícios observados com a suplementação da castanha do Brasil se devem ao fato da oleaginosa ser fonte em ácidos graxos monoinsaturados, selênio e componentes bioativos. Um dos fatores limitantes do estudo é o baixo número de participantes e a falta de controle da alimentação ingerida pelos grupos. Todavia, os resultados revelam que mesmo sem redução da massa corporal, a castanha do Brasil promoveu melhoras significativas no perfil metabólico das obesas. O estudo original é motivante e desperta o interesse em pesquisas com alimentos típicos do Brasil.

Prof. Dr. João Felipe Mota
Universidade Federal de Goiás
Membro do Departamento de Nutrição da SBD

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