Redução do Sódio em alimentos processados - Um esforço conjunto

Por Anelena Soccal Seyffarth

Dados obtidos pelo IBGE indicam que o consumo de sódio pela população brasileira nos domicílios está em torno de 9,6 g por dia, aumentando para 12g quando acrescido  o consumo fora de casa. A OMS recomenda que o consumo diário de sódio não ultrapasse 5g logo, no Brasil os valores encontrados representam mais que o dobro do indicado. Esta questão vem preocupando autoridades e especialistas da saúde, diante do avanço de doenças crônicas como hipertensão e doenças cardiovasculares.

O Ministério da Saúde, com a participação ativa da CPAN (Coordenação da Política de Alimentação e Nutrição) e da ANVISA, firmou acordo para a redução do teor de sódio de alimentos processados, considerando ser este mais um passo importante  para a prevenção das referidas doenças. Este compromisso foi estabelecido com  a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) e a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).

Entre os itens incluídos no compromisso, está incluída o monitoramento em relação a utilização de fontes de sódio e sal no processamento dos alimentos. A redução do teor de sódio dos alimentos selecionados deve seguir cronograma progressivo com a expectativa de oferta de produtos com menor teor até 2014 e com redução ainda maior até 2016.

Os dados do IBGE também indicam que 90 % dos  adolescentes brasileiros consomem sódio  mais  que o recomendado, e seu consumo de biscoitos salgados,biscoitos doces e recheados, salgadinhos é de 2,5  a  7 vezes maior que o dos adultos. A ação conjunta prevê a redução do teor de sódio destes alimentos tendo em vista a  importância de atuar junto a esta população específica.

A Sociedade Brasileira de Diabetes, representada pelo seu Departamento de Nutrição, reforça a relevância deste acordo, considerando que esta ação reflete na prevenção e controle da hipertensão e das doenças cardiovasculares, muito prevalentes na população portadora de diabetes.

Dra. Anelena Seyffarth
Nutricionista - Brasília –DF
Nutricionista do Departamento de Nutrição da SBD – Representante DF

Fonte – Jornal Agora MS – online . Publicado terça-feira, 13 de dezembro de 2011, às 18:01

Política Nacional de Alimentação e Nutrição

Marlene Merino
Por Marlene Merino Alvarez

O Ministério da Saúde lançou no final de novembro a Política Nacional de Alimentação e Nutrição, a qual tem como foco a promoção da saúde no âmbito da atenção primária. Segue um resumo da Política Nacional com destaque para a prevenção das doenças crônicas, tal como o Diabetes

O declínio do nível de atividade física, aliado à adoção de modos de se alimentar pouco saudáveis, com a adesão a um padrão de dieta rica em alimentos com alta densidade energética e baixa concentração de nutrientes, o aumento do consumo de alimentos ultra‐processados e o consumo excessivo de nutrientes como sódio, gorduras e açúcar têm relação direta com o aumento da obesidade e demais doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão e explicam, em parte, as crescentes prevalências de sobrepeso e obesidade observadas nas últimas décadas.
 
O Brasil vem enfrentando o aumento expressivo do sobrepeso e da obesidade, assim como em vários países do mundo. Em vinte anos, as prevalências de obesidade em crianças entre 5 a 9 anos foram multiplicadas por quatro entre os meninos (4,1% para 16,6%) e por, praticamente, cinco entre as meninas (2,4% para 11,8%). Nos adolescentes, após quatro décadas de aumento gradual nas prevalências, em torno de 20% apresentaram excesso de peso (com pequena diferença entre os sexos) e quase 6% dos adolescentes do sexo masculino e 4% do sexo feminino foram classificados como obesos. Na população adulta, houve aumento do sobrepeso e da obesidade em todas as faixas etárias e de renda. A obesidade cresceu de 2,8% em homens e 7,8% em mulheres para 12,5% entre homens e 16,9% entre as mulheres nos períodos entre 1974‐1975 e 2008‐2009, de modo que o excesso de peso alcançou 50,1% nos homens e 48,0% nas mulheres. A renda média da população brasileira apresentou um incremento nas últimas décadas e as doenças crônicas, com foco para obesidade, passaram a apresentar taxas semelhantes entre os grupos.

Diante do atual quadro epidemiológico do país, são prioritárias as ações preventivas e de tratamento da obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis, relacionadas à alimentação e nutrição. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) tem como propósito a melhoria das condições de alimentação, nutrição e saúde da população brasileira, mediante a promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e o cuidado integral dos agravos relacionados à alimentação e nutrição.

As diretrizes que integram a PNAN indicam as linhas de ações para o alcance do seu propósito, capazes de modificar os determinantes de saúde e promover a saúde da população. Sendo consolidadas em:

1. Organização da Atenção Nutricional;
2. Promoção da Alimentação Adequada e Saudável;
3. Vigilância Alimentar e Nutricional;
4. Gestão das Ações de Alimentação e Nutrição;
5. Participação e Controle Social;
6. Qualificação da Força de Trabalho;
7. Controle e Regulação dos Alimentos;
8. Pesquisa, Inovação e Conhecimento em Alimentação e Nutrição;
9. Cooperação e articulação para a Segurança Alimentar e Nutricional.

Para a prática da atenção nutricional no âmbito da Atenção Básica, as equipes de referência deverão ser apoiadas por equipes multiprofissionais, a partir de um processo de matriciamento e clínica ampliada, com a participação de profissionais da área de alimentação e nutrição que deverão instrumentalizar os demais profissionais para o desenvolvimento de ações integrais nessa área, respeitando seu núcleo de competências.
 
Leia mais: http://nutricao.saude.gov.br/publicacoes.php
 

 

Design: Conectando Pessoas - Criação de Sites e Marketing Digital